O NOVO AMIGO ESPINHUDO
Conheça o Ouriço que conquistou a América
Uma das mais novas manias nos Estados Unidos é o Hedgehog, ouriço terrestre de
origem africana e único bicho de estimação coberto de espinhos do mundo. O sucesso
desse pequeno notável deve-se à singularidade da aparência, que combina o corpo
exótico com uma carinha cativante, e à facilidade de criação devido ao estilo de vida
independente - que permite deixá-lo sozinho por diversos dias -, além de ter baixo custo
de manutenção.

A vocação do Hedgehog para pet, ao que tudo indica, foi descoberta por uma
americana dedicada à criação de animais exóticos, Pat Storer. Ela conheceu os Hedges -
como são chamados nos Estados Unidos - na metade dos anos 80, em um programa
universitário no Houston Zoological Hospital, EUA. Intrigada com seu método passivo de
defesa - ao invés de partirem para o ataque, os Hedgehogs enrolam-se numa impenetrável
bola de espinhos ao menor sinal de perigo -, Pat adquiriu um casal selvagem.
Logo vislumbrou o potencial do Hedgehog, importando do Togo, na África, mais
100 exemplares. "Não tenho certeza de que fui a primeira pessoa a criar os Hedges
para fins domésticos, mas imagino que sim", diz Pat, lembrando que depois de cruzar
as espécies importadas, passou a divulgar o Hedgehog em seminários e a vendê-los nas
pet shops americanas. Chegou a ter mais de 500 exemplares.
Simultaneamente, surgiu o personagem "Sonic, the Hedgehog", que
conquistou milhares de crianças e adolescentes. "O Sonic não foi uma
conseqüência, mas tenho certeza de que ajudou a popularizar os Hedgehogs", avalia
Brian MacNamara, editor da Hedgehog FAQ - Frequently Asked Questions, da Internet.
A maioria dos norte-americanos conhece o Hedgehog. "Diria que, nos EUA, 60%
das pessoas sabem com certeza o que é um Hedge e as 40% restantes têm pelo menos uma
idéia", avalia Bryan Smith, autor de livros sobre o assunto.
Bryan Smith é também vice-presidente da The International Hedgehog Fanciers
Society, o maior entre os clubes de Hedgehogs espalhados pelos EUA e Canadá, onde o hobby
também se populariza. Esses clubes reúnem criadores e proprietários, e promovem
encontros e exposições. O Hedge é julgado em duas categorias, de acordo com a idade e a
cor.
Esses ouriços têm até direito a pedigree. Devido à recente organização dos
criadores, nos casos em que o nome dos avós e bisavós seja ignorado, o documento é
emitido incompleto. "Fornecemos um pedigree contendo dados como espécie, idade, cor
e proprietário", diz Bryan Smith. A entidade mantém, ainda, mais de 150 Hedgehogs,
cruzando diferentes espécies para desenvolver novas cores. "Já conseguimos mais de
80 tonalidades diferentes", informa.
No Brasil, o Hedgehog é praticamente um desconhecido. Do ponto de vista legal,
segundo Francisco Neo, do Ibama, nada impede a importação. Pode ser feita por pessoas e
empresas, desde que obedecidas as normas da portaria que regulamenta o assunto (Portaria
29/94). O Ibama analisa caso a caso. "Basicamente deve ser apresentado um projeto
sobre a manutenção dos casais matrizes, sua identificação (com tatuagem ou através de
implante de microchips), bem como a garantia de fornecimento, aos compradores, de Nota
Fiscal e de um texto educando a não soltar os Hedgehogs na natureza, para evitar o
desequilíbrio da fauna", explica ele. Informa também que uma nova portaria está em
estudo - ela visa regulamentar a posse e a comercialização dos animais exóticos.